quarta-feira, 22 de outubro de 2008

VANESSÃO E O BABADO


CARO DIÁRIO

VANESSÃO MORREU!
MAS POR QUE ALGUÉM TEM QUE MORRER?
DIZEM QUE ALGUÉM TEM QUE MORRER PARA QUE O RESTO DE NÓS TENHA UMA VIDA MAIS SIGNIFICATIVA...
É UM CONTRASTE!
É PRECISO ENCARAR A VIDA...
ENCARAR A VIDA E SABER COMO ELA REALMENTE É!
FAZ-SE NECESSÁRIO CONHECER BEM A VIDA!
PARA AMÁ-LA, CONFORME ELA SE APRESENTA PRA VOCÊ...
E SÓ ASSIM DEPOIS VOCÊ A DESCARTA...
FATOS SE SUCEDEM
PESSOAS NASCEM, AMAM, MORREM
...E DESCUBRO QUE TALVEZ VIVER SEJA A MAIOR INJUSTIÇA DE TODAS ELAS...
VANESSÃO...DESCANSE EM PAZ!
afetuosamente
AMÉM
FIM

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

OS MANSOS E OS MANCOS.


*IMAGEM: ACERVO PESSOAL
Sempre fui uma criança de alguma forma solitária (talvez pela origem étnica, social, cultural e etc...).
E no meio dessa noz...com o tempo você se afunda e "se" apropria de si...
Você se livra da casca da noz...e se torna a noz...livre e imaginativo, criando universos paralelos e particulares.
Você se torna o melhor de si...e presta atenção nos detalhes: os da vida...na pulsação, respiração, pois tudo que vem do corpo é natural!
Minha madre está assistindo novela....vi no capítulo de ontem, Sonia Braga, linda vestida de vermelho...o tempo é benéfico para alguns de fato.
È necessário muita ousadia para aparecer em público vestido de vermelho...Hoje mesmo vi no metrô uma moça de vestido vermelho em plena 9 da matina!
É necessário muita ousadia para quebrar as convenções...qualquer que ela seja!!!
Um Viva a provocação!
OS FALSOS MANSOS E MANCOS PODEM ATÉ DOMINAR A TERRA, MAS NÃO A VIDA....
...AMÉM!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

CARTA PARA UM JOVEM POETA.


Márcio...
Obrigada por tão nobre gesto... Confesso que seu cartão e o cuidado que você teve comigo me emocionou e me senti lisonjeada por ter recebido uma lembrança carregada de tanto sentimento...
Senti um certo ar de despedida... Quem sabe não é?! Mas, através desse e-mail deixo registrado meu desejo de te ver bem e cercado de pessoas cheias de defeitos, porque ninguém é perfeito, mas, honestas e sinceras... Aqui ou em São Paulo, ou talvez em um lugar onde eu nem possa imaginar existe um lugar só seu e que ninguém pode tirar, alcança-lo ou não depende de você e força para isso você sempre demonstrou...
E mesmo quando eu for rica e famosa (eheheh) vou me lembrar do garoto que gostava de vestir preto, atraia os olhares das pessoas, falava de um modo diferente, estava sempre alerta mas, que nunca deixou de ser leal àqueles que gostou!
Obrigada por todas as lições que ciente delas ou não você me passou...
Beijo!
*"carta" de uma nobre colega....

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O SEGREDO DO AMANHÃ.

*IMAGEM: LARRY CLARK
Dizem que o segredo para atrair companhia está em todo entardecer,gostar de si mesmo como se fosse muito amor,e acreditar que isso basta...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM.


Clarice Lispector entrevista Millôr Fernandes
Reprodução da entrevista que Clarice Lispector fez com Millôr Fernandes (janeiro de 1977)
Do livro "Entrevistas", Ed. Rocco.

 Não vou apresentar Millôr: quem o conhece sabe que eu teria que escrever várias páginas para apresentar uma figura tão variada em atividades e talentos. Somos amigos de longa data. Nossa entrevista decorreu fácil, sem incidentes de incompreensão. Havia confiança mútua.
Como vai você, Millôr, profundamente falando?
Vou profundamente, como sempre. Não sei viver de outro modo. Pago o preço.
Às vezes o preço é alto demais, Millôr. Como é que lhe veio a idéia de arquitetar O Homem do Princípio ao Fim, que é um grande e comovente espetáculo?
Eu, por exemplo, o veria de novo.Foi a pedido dessa extraordinária amiga que é Fernanda Montenegro. Como eu já tinha escrito um espetáculo basicamente político, Liberdade, liberdade (com Flávio Rangel), resolvi não me repetir e me fixei num ponto de vista humanístico que é a qualidade essencial daquele meu trabalho.
Que é que você me diz de sua experiência como ator?
Sensacional e inútil. Sensacional por causa da segurança que se ganha ao perceber uma possibilidade total de comunicação, e isso é emocionante. Inútil porque não tenho nada a fazer com o resultado dessa experiência.
A comunicação que busco é toda outra, íntima e definitiva.Millôr, você já sentiu com toda a humanidade a centelha de uma coisa que uns chamam de gênio, mas não é gênio, é bastante comum: é uma visão instantânea das coisas do mundo como na realidade são?
Se é isso que chamam de gênio, então está para mim. Só vejo isso. Tenho mesmo a impressão de que nada do que vejo é comum. A mim me faltam todas as noções das coisas do mundo tal como ele é. Mas essa espécie de lucidez de que você fala, a lucidez do absurdo, essa eu tenho no meio da maior paixão. Creio mesmo que um dia vou estourar de lucidez, isto é, ficar louco.
Conte-me algo de sua infância.
Dura! Dura! Linda! Linda! O Méier, naquela época, era praticamente rural. Eu aprendi a nadar em um pântano, cheio de rãs. Aprendi a amar num quintal fazendo bonecos de tabatinga junto com as meninas. Essa infância durou até os dez anos. Aí, um dia, na morte de minha mãe, chorando horas embaixo de uma cama, eu consegui a paz da descrença. Aos dez anos, pois é.
De que modo lhe vem a inspiração, Millôr? Você sente que vem de seu inconsciente?
Creio que exatamente de todos os modos. Mas não penso que seja precisamente inconsciente. Mesmo quando parece inconsciente acho que o núcleo da inspiração é uma vivência qualquer (imagem, som, dor, angústia) antes arquivada e de repente, por qualquer motivo (também exterior), ressuscitada. Mas meu caso é muito especial: não sou um escritor, sou um profissional de escrever.
Falamos sobre várias personalidades; em seguida perguntei-lhe:Quais os homens que você mais admira e por quê?
Vou limitar a pergunta, no tempo e no espaço. E prefiro assim ter a coragem de escolher um homem de meu tempo e de meu espaço. Vinicius de Morais. Pelo muito que somos iguais, pelo imenso que nos separa, eu elejo o poetinha como o dono de uma visão de vida essencial.
De conversa puxa conversa, passamos, não sei como, a falar da morte.
Como é que você encara o problema da morte? A morte é um problema para você?
Acho o problema da morte fascinante (talvez porque eu não a sinta perto de mim). Gostaria mesmo de morrer já para, sem trocadilho, viver essa experiência. Desde que me fosse dado, depois, voltar apenas para contar como foi.
Voltamos a falar da vida e sobre o que mais nos importava.O que mais importa na vida?
A relação humana. O amor. A paixão, nisso incluída. Também, ou sobretudo, as paixões condenadas, de homem com homem e mulher com mulher. Como sou aquilo que a sociedade chama de saudável e normal, as paixões anormais merecem o meu maior respeito.
Se você não fosse escritor, o que seria?
Um atleta. Eu sou, fundamentalmente, um atleta frustrado. Aliás, essa é a única frustração que me ficou de uma pré-juventude (de dez a 17 anos) excessivamente dura.
Em matéria de escrever, você sente, na sua trajetória, um progresso?
Acho que sim. Sobretudo se comparar o início com a fase atual, o que não é vantagem porque eu comecei a escrever em jornal aos 13 anos de idade. Só um debilóide não teria progredido. De qualquer forma, continuo tentando me renovar sempre, num gosto por buscar formas e visões novas, que ainda não perdi.
E, em matéria de vida, de maneira de viver, você sente um progresso que vem da experiência?Acho que sim. Mas será que os outros acham? Nada me surpreende mais, por exemplo, do que ouvir dizer que sou agressivo. Porque eu me sinto a flor da ternura humana. Mas será que sou? De qualquer forma, há dentro da minha mais profunda consciência a certeza de que o gênio do ser humano está na bondade. Isso eu procuro.
Concordei com ele sobre a bondade.
Também eu a procuro com humildade e ao mesmo tempo com veemência.
Millôr, você ainda faz hai-kai? (Hai-kai é um estilo poético popular japonês, aparecido há mais ou menos quatro séculos.)
Posso fazer. Vou fazer dois:
Você pode crer
O pior cego
É o que quer ver.
Esta é a verdade
Eu sou um homem
De minha idade.
fim

terça-feira, 1 de abril de 2008

DO OUTRO LADO DA SUA CASA.

*iMAGENS: NAN GOLDIN...
Para ser lido ouvindo a louca da Amy Whinehouse...

Cartas Jogadas ao Mar: escrevendo para a Maria de Lourdes (a muher mais espevitada que conheci).
(...)
Boy, interrupted: "queria lhe pedir desculpas por qq coisa...e agradecer infinitamente pelo pão de mel cedido...um pão que o diabo não amassou e que vc não tinha nem pra vc...pois foi cedido, ganhado po ti (que não ganha quase nada da vida e mesmo assim...cedeu, para uma alma mais desafortunada que a sua: eu!)..."

Maria de Lourdes: Lindo isso que tu escreveste do pão de mel... muito lindo. é a mais pura verdade...
Boy, interrupted: "espero que alguém tenha lhe perdoado e que tis atinjas a salvação...comi no caminho (dentro do bus)...me senti tão macabéa...(lembra daquela cena que ela vai na casa da Glória? (pra mim tis és a glória: a mais abusada e uma bonita personagem tb...todos os personagens deste livro são bonitos, tristes, lindos...até o olimpio, a cartomante)...e lá é oferecido pra ela...um bolo (inteiro)...e um copo de chocolate quente com bastante chocolate...ela até passa mal... engole tudinho)...lembra? pois é, o pão de mel...tinha tanto chocolate ...que me fez até bem...comi tudinho na viagem...e chegando em casa lambi o saquinho (que é para não desperdiçar nadinha sabe)...vou aprender a ser honesto comigo próprio e admitir que lambi o saquinho...definitivamente não sou chique."

Maria de Lourdes: lindo tbem este seu texto em que se compara com a queridissima maca, aquela que não teve o botão da vida acendido. tbem concordo que eu sou glória na vida. é melhor eu tomar vergonha e ir ser glória na vida. desejo a salvação plena a ti também.

Boy, interrupted: "espero que tis sejas convidado para "n" festas e que vc aproveite tudo e de uma de naza e coma tudo ...abuse mesmo lu...
um bom final de semana....eu se fosse vc...fazia igual a glória...passava agua oxigenada no buço e nos pelos dos braços e das pernas...até a bunduda da sua "amiga" vai ficar com inveja..."

Maria de Lourdes: acho que eu não gosto muito da bunduda pois ela é ordinária e não admite. ou será que aquele sex appeal é pura capa de cordeirinho recatado? enfim, pensei muito em nossa conversa. a linda conversa da moeda e seus dois lados. Eu sentirei sua falta. é estranho vc acreditar, eu sei. fui muitas vezes ordinário contigo. muitas vezes. sou um turbilhão de emotividade que briga dentro de mim. talvez meu maior desafio na vida seja saber lidar com minhas emoções, meus sentimentos... enfim. não sei se entende... só digo que dentro de mim há aquilo que eu não nomeei e que sinto por ti.Je t'aimeum beijo grosso de seu amiga mais ordinária.
um beijo dedicado ao amigo mais lindo, sincero, leal, fiel e triste que eu tenho.

fim
ps> Dizem que a vida continua...mas talvez do outro lado da sua casa...