terça-feira, 29 de maio de 2012

XUXA E O MONANGE DE CADA DIA!

*IMAGEM: "XUXA"
PARA SER LIDO AO SOM DE THE LUMINEERS - SUBMARINE
HI DEAR...
DESCOBRIR NA TENRA INFÂNCIA QUE VOVÓ MAFALDA ERA HOMEM (AS MÁS LÍNGUAS DIZEM QUE MORREU DE OVERDOSE!) E QUE O MESTRE DOS MAGOS ERA O VINGADOR FOI UM DOS INÚMEROS TRAUMAS QUE TIVE. ASSISTIR A TV XUXA NÃO FOI DIFERENTE, COM SUAS PAQUITAS-PERIGUETES COM CARA DE ÂNSIA DE VÔMITO, BONECOS INVERTIDOS, ESTATUETAS, MANIPANÇOS, MONOS, BIS, TRAVESTIS, BUGIGANGAS, CHAME-LHES COMO QUISER. ESTE PERSONAGEM COM O SEU CIRCO DE HORRORES TRANSFORMAVA AS PESSOAS EM COISAS E ISSO NÃO É UMA COISA FÁCIL QUE SE LARGA NUMA VALA COMUM E ALI SE DEIXA FICAR. NESTE MERCADO PERSA VENDIA-SE DE BRINQUEDOS A CHOCOLATES, DE SABONETES À PESSOAS-HIDRATANTES!
OUTRO TRAUMA: TER DE OUVIR A XUXA CANTAR "MEU CÃOZINHO XUXO"... APARENTAMENTE EMOCIONADA E SE DEBULHANDO EM LÁGRIMAS E O QUE DIZER DO CAFÉ DA MANHÃ COM UVAS CULTIVADAS POR FREIRAS CEGAS, QUEIJOS DE LEITE DE UNICÓRNIO, PÃES ÉLFICOS DIVERSOS E SUCOS COM ÁGUA DE COCO DA LUA QUE ERA OFERECIDO A VOCÊ QUE CRESCEU E AGORA DE TÃO TRAUMATIZADO PASSOU A USAR A YOGURTEIRA TOP THERM??? EU ME SENTIA NUMA TELEVISÃO DE CACHORRO E UMA CRIANÇA POBRE ENTENDERÁ BEM O QUE DIGO!
COMEÇA A CHOVER, PRIMEIRO UMAS GOTÍCULAS, DEPOIS UM POUCO MAIS FORTE, TODOS ABRIMOS OS GUARDA-DA-CHUVAS-E-DA-VIDA, E AÍ A VOZ DA XUXA APARECE NA TV COMO NUM FILME DE TERROR E A DESCREVER  O QUE SE PASSOU!
A CHUVA COMEÇA A CAIR TORRENCIALMENTE  E DE REPENTE ARMA-SE UMA VENTANIA DE DEPOIMENTOS "SINCEROS": PRA QUAL CÂMERA DEVO OLHAR E CHORAR, HÃ?
DESCOBRIMOS QUE AS PESSOAS ESCORREGAM, CAEM, LEVANTAM-SE, TORNAM-SE A CAIR, A CHUVA TORNA-SE DILÚVIO E ESSAS SÃO AS SENSAÇÕES NATURAIS, POIS AS VIOLÊNCIAS (SOCIAIS, DESIGUAIS, ETC), SIM, NÃO É NADA QUE NÃO SE VEJA TODOS OS DIAS LÁ FORA.
NUNCA É TARDE PARA DESCOBRIR E ADMITIR QUE SÓ À ÚLTIMA HORA, PARA NÃO FICAR A MOER-SE POR DENTRO DURANTE MUITO TEMPO E A ENVENENAR O SANGUE.
SIM, EU USEI MONANGE E ME FODI! FELIZ DA CRIANÇA QUE ESTUPRA A SUA INFÂNCIA E RI!

domingo, 20 de maio de 2012

ULTIMA PARTE: O ALARME DISPARA E O FILME ACABA!

*IMAGEM: NAN GOLDIN
quando entrou o silêncio entre nós e a ação partiu de mim, o que outrora ainda pairava às sombras da incompreensão hoje encontrou alento no ressoar do alarme.
o alarme disparou e segundo seguinte, cobriu-me a barriga com suas pernas e sentou-se. me aqueceu sem que eu pedisse, mas foi embora sem que eu o fizesse também.
com o mesmo silêncio que me deixou descoberto e nu diante das paredes inanimadas da sala de televisão, fiquei ali a encontrar justificativa para o beijo negado. quando do momento em que o alarme soou passei minhas mãos já aquecidas pelo meu torso e me senti então repleto de uma sensação incrível que não conseguiria descrever. e o indescritível continua aqui comigo embora ele tenha deixado pra trás a casa já sem insetos e com o chão limpo; ainda ontem estive eu a higienizá-lo.
...eis que nos separamos e hoje acabo por entender seu sumiço: para que não mais o apavore o terror de minha respiração, como o tempo que açoita o mastro dos barcos e as rajadas de vento chicoteiam as velas - em sua mandíbula trêmula.
oferecestes tuas duas faces a fugir de minha boca que buscava o atalho para a fuga no mesmo minuto em que escutei lá atrás alguém dizer meu nome.
pois que a vida é tão insignificante quanto os minutos que tilintam nos ponteiros dos relógios de parede das casa, ou os digitais no microondas, de hora em hora como quem conta até dez pau-sa-da-men-te.
não mais procurarei meu flagelo, pois ainda ontem lhes disse que aceitei minha condição e a partir de agora vivo apenas de mim. pois "a pessoa é para o que nasce". e não fui nascido para ser deixado para trás, não haveríamos (eu e minha mãe) de termos suportado a dor do parto para que outras dores viessem paulatinamente me assombrar.
já tua presença não se faz necessária, nem teu corpo pois descobri ainda agora os lençóis embaixo da cama.
pois que hoje quando ainda sobre meu corpo ele silenciosamente desejou ir embora, foi como se o senhor dos relógios soubessem e neste mesmo segundo, no intervalo de um microssegundo para outro: o alarme gritou. ainda deixei alguns minutos, pois que seja então decretado o estado de emergência!
questionou-me se eu não ia desligar enquanto se arrumava. meus pés queimaram no caminho até o relógio e desliguei. foi-se. e não levou consigo nada de mim.
trouxe pouco... e leva ainda menos.
o novo ano que lateja nos presépios, entre um burro e uma cabra, trará consigo o passar do tempo, o acordo já foi feito. no tempo será deslocado e não estarei aqui para assisti-lo desbotado.
pois que a partir de agora em diante tu serás, a mim, para sempre desimportante.
há que conviver com sua culpa enquanto constrói aos poucos sua vida de areia sobre pedras deslizantes. e eu? eu continuarei só.
só que longe.
* texto extraido do blog arquitetando palavras - diego tonhon