sábado, 23 de abril de 2016

QUEIXA



Queixa,


o pessegueiro fantasma
em holograma
não tem rosto
preso nas carnes da parede
a dois passos do sofá
a ovelha no fim do corredor
ruídos daquelas flores que perplexam
em único giro
completo a sala rodopia
tão rápido
quem fechariam as janelas



e essa corda de piano tesa que quer cortar tudo pelo meio
sem sujeira
o chão é de espelhos
para que alguns caiam em sí
almas nuas
correm decapitadas
no sonho dos dormitórios
sem noite
pisoteiam borboletas mortas  pardas



perseguem serpentes cosméticas
no adro verde ralo
a ronda estala a crepitar folhas de vidro
atrás do último portão
rosto frio
sob as patas cruas de dois cães insones


gueixas queixas  oscilam em microondas
trovões dentro dos livros
uma nuvem de cabelos flutuam sobre a mesinha de centro
como se respirar fosse fácil
chovem lágrimas de pássaros
nas xícaras inodoras
de padronagens red blue white
a palavra mais importante da minha língua e não da sua têm apenas uma única letra: É

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